Decisões. Parece que paternidade está sempre baseada em tomadas de decisões, não é mesmo? E é, sim. Decidimos e buscamos o que acreditamos ser sempre o melhor. Escolhemos a educação bilíngue para nossos filhos porque sabemos como falar inglês é primordial no sec. 21. A língua da comunicação global. Muitas vezes, damos aos nossos filhos o que não pudemos ter. Então, de repente, nossos filhos estão aprendendo uma língua que não falamos ou dominamos pouco. Ou, mesmo quando falamos essa língua, os tempos mudaram e não foi assim que a aprendemos.

O terreno que nos parece desconhecido pode trazer ainda mais incertezas e medos. Por exemplo, a alfabetização. Sabemos que o processo de alfabetização começa antes do ano da alfabetização e só é concluído depois do mesmo. No entanto, ao escolhermos uma educação bilíngue para nossos filhos, pensamos: como é que ele vai aprender a ler e escrever em duas línguas ao mesmo tempo? Será que é possível? Será que vai confundir meu filho e, no final, ele não vai saber nem uma língua nem a outra?

Quando se trata do processo de letramento e educação bilíngue, muitas dúvidas surgem mesmo. É comum se preocupar sobre quando e como o aprendizado da leitura deve ser feito. Será que o processo de alfabetização deveria ser iniciado primeiro numa língua e depois na outra? Será que deveria ser nas duas línguas ao mesmo tempo? Qualquer forma é correta?

Na verdade, o ponto principal é dar tempo à criança para que entenda e descubra as diferenças entre as línguas. Pesquisas (Joy, 2011, pp. 5-18) apontam que não há prejuízos para a criança ao ser alfabetizada em mais de uma língua ao mesmo tempo. Ao contrário, durante o processo de alfabetização bilíngue, a criança desenvolve novas habilidades que vão ajudá-la no letramento em ambas as línguas. Por exemplo, ela aprende a perceber e entender as similaridades e diferenças na formação de palavras das línguas que está aprendendo; quando as crianças começam a comparar as línguas, as letras e símbolos utilizados, os sons ao pronunciar as palavras, elas comparam as informações recebidas de forma natural, ajudando-as a entender as duas línguas mais profundamente. O conhecimento em uma língua ajudará a entender a outra e vice-versa. As crianças desenvolvem maior adaptabilidade e flexibilidade para aprender e, consequentemente, para a vida. Se acontecer ao mesmo tempo, o processo de alfabetização vai ajudar a criança a entender melhor ambas as línguas.

Não se preocupem se vai ser difícil demais para seu filho. Pode ser que algumas crianças precisem de um pouco mais de tempo que outras, como já conversamos antes aqui, sobre O Tempo. Aprender duas línguas pode, na verdade, ser um facilitador para o aprendizado da leitura e da escrita. Deixe seu filho pedalar, cometer erros. Acredite na sua capacidade inata de aprender. Confie na parceria escola e família.

Lembre-se: o mais importante nesse momento é dar ao seu filho o tempo de que ele precisa. O aprendizado é natural.

 

EXTRA! EXTRA!

Você já pensou em visitar bibliotecas com seu filho? Contar histórias em português e deixar que ele te conte alguma em inglês? Ou vice-versa. Que tal criar o Dia da Descoberta das Palavras na sua casa? Você pode pedir que seu filho escreva os nomes de alguns objetos da casa que ele saiba em inglês, português ou nas duas línguas, e colocar no objeto, como um post-it. E nesse dia seu filho vai colocar notes pela casa, escrevendo as palavras que ele já conhece. Não corrija. Deixe fluir. Ele vai se sentir super feliz com isso. E empoderado! ;o)

 

Referências:

Joy, R. (2011). Learning to Read in Two Languages: Impediment or Facilitator? Electronic Journal of Foreign Language Teaching, 8(1), 5–18. https://e-flt.nus.edu.sg/wp-content/uploads/2020/09/v8n12011/joy.pdf