“O tempo perguntou ao tempo 

quanto tempo o tempo tem.

O tempo respondeu ao tempo,

Que o tempo tem o tempo

Que o tempo tem.”

(Parlenda de domínio público)

O tempo é nosso companheiro eterno. Ele nos aconchega desde a concepção até quando não há mais necessidade de contá-lo. É uma dádiva que nos convida ao constante desenvolvimento e evolução. Seja a sua melhor versão do seu ontem. No entanto, o tempo também pode se tornar um carrasco a nos aprisionar dentro da caixa do resultado. Quando aprendemos, precisamos de tempo. Aliás, é ele, mais uma vez, nosso aliado na caminhada de eternos aprendentes.

Quando esperamos a chegada de nossos filhos, o tempo nos convida a pensar e planejar nossa paternagem. Somos levados a desejar sempre o melhor para aqueles a quem dedicamos nosso mais profundo amor e nosso tempo.  Como será? Do que gostará? O que planejamos para ele? Queremos o melhor sempre! Com certeza! Em que escola vai estudar? Como escolheremos nossa parceira de caminhada para juntos, ajudarmos esse novo ser a trilhar seu caminho? Em seu antagonismo, o tempo nos pede paciência e nos instiga a tomar decisões. A responsabilidade das escolhas por e para nossas crianças nos atinge como uma flecha e parece haver, tantas vezes, a sensação de incerteza. Essa incerteza nos pressiona a desejar um resultado, a certeza de que fizemos a escolha certa. Muitas vezes, em nossa ânsia pelo melhor para nossos filhos, focamos mais na relação tempo X resultado e esquecemos que aprender é processo. Processo requer tempo.

Ao optar pela educação bilíngue, os pais escolhem um caminho de maiores oportunidades para seus filhos. A comunicação é um dos pilares da educação do século 21. Nela estão pautadas as esperanças da transformação da sociedade e da mudança por mais justiça, igualdade e respeito. Queremos que nossos filhos possam crescer tendo oportunidades de escolhas que os façam se sentir respeitados em suas possibilidades. Queremos um futuro em que nossos filhos deixem de ser coadjuvantes e passem a ser co-autores de suas histórias e da diferença para a construção de um planeta melhor. Ter a habilidade de comunicar em outra língua é um ponto de grande importância na formação do protagonista de sua própria vida.

No desejo por facilitar a construção desse protagonismo, o tempo se faz necessário para a aprendizagem. Uma criança começa a aprender sua língua materna ainda no útero de sua mãe, quando, ao adquirir a capacidade de ouvir, o bebê começa a perceber sons. Nos primeiros anos de vida, passa a diferenciá-los e descartar o que não deve ser usado na sua língua materna. A criança cresce e, mesmo na fase adulta, ainda aprende nuances sobre sua língua. Sempre há o que aprender. Quando nos voltamos para o contexto bilíngue, e levando em consideração a nossa aprendizagem contínua do português, pode ficar mais fácil e tranquilizador entender que o tempo é de extrema importância para a apropriação do inglês. O ensino bilíngue traz a naturalidade contextual da aprendizagem que vivenciamos desde o útero de nossas mães para a sala de aula. No entanto, ao entrarmos em uma sala de aula bilíngue já temos um contato de, pelo menos, dois anos com nossa língua materna. Os sons que descartamos no processo de aprendizagem do português podem ser necessários para o aprendizado do inglês e, para tal, nosso cérebro precisa desaprender a desfazer o descarte e reaprender a utilizar os sons que são necessários ao inglês. O cérebro precisa de tempo.

Some-se a esse processo o fator da unicidade de cada um. Olhe para seu filho. Ele é único! Um tesouro único no mundo. Como tal, ele aprende de forma única e no seu tempo próprio. Então, que a criança possa construir seu brilho, no seu ritmo e no seu tempo, tempo, tempo, como canta Caetano.

EXTRA!

Porque sabemos que somos juntos nessa missão de ajudar seu filho a se desenvolver em todas as suas possibilidades, e porque ser pai/mãe também requer tempo de aprendizagem, pensamos em deixar aqui uma playlist sobre o tema, o que pode contribuir para dar-lhes um tempo prazeroso de reflexão.

Playlist do tempo:

  1. ORAÇÃO AO TEMPO, CAETANO VELOSO
  2. TEMPO REI, GILBETO GIL
  3. NOVO TEMPO, IVAN LINS
  4. O TEMPLO DO TEMPO, FLAIRA FERRO
  5. TEMPO PERDIDO, LEGIÃO URBANA
  6. TURN! TURN! TURN! The Byrds

Referências:

Maria João Freitas & Ana Lúcia Santos (eds.). 2017. Aquisição de língua materna e não materna: Questões gerais e dados do português (Textbooks in Language Sciences 3). Berlin: Language Science Press.

https://istoe.com.br/mapa-revela-quanto-tempo-voce-precisa-para-aprender-um-novo-idioma/