Ter aula com profissionais bem capacitados é essencial para garantir o aprendizado da língua inglesa. Essa capacitação pode vir na forma de uma graduação formal (por exemplo, com professores formados em Letras) ou através da obtenção de certificações internacionais reconhecidas (como Cambridge e TOEFL).

A seguir, abordaremos os principais aspectos que envolvem a formação e a capacitação de professores de inglês no Brasil.

O inglês e a BNCC

Tratado como a “língua do conhecimento”, o inglês é definido pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) brasileira como idioma estrangeiro de ensino obrigatório já no Ensino Fundamental II.

Se por um lado a presença do ensino de inglês na BNCC denota sua importância escolar, por outro lado o chamado “inglês escolar” ainda carrega estigmas negativos, como ser baseado demais em memorizações e traduções.

A contextualização do ensino de inglês, ou seja, uma integração maior entre o ensino do idioma e o ensino das demais disciplinas, ainda é um ponto fraco do ensino do inglês na maioria das escolas.

Esse problema reflete com muita força na formação dos professores de inglês, que são normalmente preparados para esse ensino mecânico e repetitivo, muito frequente nas escolas de idiomas já estabelecidas no país.

Dimensão intercultural

A BNCC prevê 88 habilidades em língua inglesa que os alunos devem possuir para serem considerados proficientes no idioma. Essas habilidades são divididas em 5 eixos: oralidade, leitura, escrita, conhecimentos linguísticos e gramaticais e dimensão intercultural.

Um dos problemas nessa divisão das habilidades em eixos é que o eixo de dimensão intercultural é o que possui o menor número de habilidades, porém é justamente o eixo mais importante para garantir um ensino da língua inglesa mais completo e menos tecnicista.

Os professores de inglês devem, claro, estar atentos às diretrizes da BNCC, mas podem garantir uma maior presença da dimensão intercultural em sua formação e, em consequência, no aprendizado que proporcionarão aos seus alunos.

Baixo oferecimento de capacitações

Em recente estudo do Centro de Referências em Educação Integral, cerca de 62% dos professores disseram que não fazem capacitações devido ao baixo oferecimento das mesmas por parte das Secretarias de Educação.

A ausência de uma maior variedade de capacitações oferecidas dificulta a formação dos professores de inglês. Isso acabam reforçando as habilidades mais pragmáticas de um ensino puramente técnico e linguístico, distante da língua de fato, em especial a língua falada.

Proficiência e contato com a língua

Como reverter o problema de falta de proficiência dos professores de inglês? A solução é investir na formação desses professores. Uma ideia seria possibilitar parcerias internacionais, em que ele seria estimulado a melhorar sua proficiência no contato com falantes nativos da língua, ou com outros professores que também têm o inglês como língua estrangeira.

O mais importante é que essa seja a única língua em comum entre as pessoas desse grupo, para que todos sejam estimulados a falar, ouvir, escrever e entender em inglês.

Utilização de ensino híbrido em sala de aula

Estudos realizados no Chile mostraram que os alunos se interessavam mais pelas aulas de inglês e melhoraram suas habilidades com a língua quando a tecnologia era utilizada em sala de aula. E, para isso, os professores de inglês não precisam se apoiar apenas em aplicativos, filmes ou músicas, como já é habitual. Ele pode, por exemplo, procurar um nativo que esteja interessado em conversar por Skype com os alunos.

Próximos passos

A capacitação dos professores de inglês se torna especialmente necessária quando falamos em professores que estão fazendo a transição do ensino de inglês como língua estrangeira, com foco na gramática e vocabulário, para o ensino de inglês dentro da filosofia de ensino bilíngue, onde a língua é o meio através do qual os alunos aprendem conteúdos de outras áreas de conhecimento.

O apoio constante aos professores de inglês, com observações de aula regulares seguidas de feedbacks e reflexões sobre situações observadas em sala de aula, leituras e formações sobre CLIL e ensino bilíngue, são algumas das ações que tornam essa transição mais tranquila para o docente. Isso garante a estrutura necessária para chegar a um nível de fluência não apenas gramatical ou linguístico, mas sim cultural.