De uma caixa de costura
Pano, linha e agulha
Nasceu uma menina valente
Emília, a boneca gente 

Nos primeiros momento de vida
Era toda desengonçada
Ficar em pé não podia, caía
Não conseguia nada 

Emília, Emília, Emília
Mas a partir do momento
Que aprendeu a andar
Emília tomou uma pílula
E tagarelou, tagarelou a falar
Tagarelou, tagarelou a falar 

Ela é feita de pano
Mas pensa como um ser humano
Esperta e atrevida
É uma maravilha
Emília, Emília, Emilia 

 Você já ouviu falar do Sítio do Picapau Amarelo, não ouviu? Vovó Benta, Tia Nastácia, Narizinho, Pedrinho, Visconde e Emília… A boneca que não parava de falar, cheia de personalidade e opinião. No mundo mágico de Monteiro Lobato, Emília tomou uma pílula e começou a falar para não parar mais. Já pensou se fosse assim conosco? Chegaríamos numa loja e compraríamos as pílulas das línguas que gostaríamos de falar. Seria um passe mágico que nos levaria para onde quiséssemos ir, como com o pó do pirlimpimpim. Falar línguas abre muitas portas, que podem nos levar a lugares fantásticos e nos proporcionar grandes oportunidades de aprendizagem e descobertas. No entanto, o mundo fantástico de Monteiro Lobato é eternizado pela fantasia e pela magia de nos encantar, mas não é real.  

Aprender uma língua requer mais do que tomar uma pílula como a Emília. Aprender uma língua é um processo. Processo é uma palavra com origem no latim procedere, que significa método, sistema, maneira de agir ou conjunto de medidas tomadas para atingir algum objetivo. E é isso o que aprender uma língua exige: processo, tempo e vivência de etapas necessárias.  

Quando uma criança adquire a primeira língua, o processo é automático e inconsciente. Elas geralmente não requerem ensino formal em uma escola para que isso aconteça. Esse é o processo de aquisição de uma língua. Quando uma criança se torna bilíngue  porque aprende a segunda língua depois de falar a primeira, ela vai precisar ter aulas formais para aprender essa língua. Vamos pensar no Inglês como segunda língua. Aí, também, há a necessidade de se vivenciar processos. Tempo, prática e vivências socioconstrutivistas serão necessárias para que a criança tenha uma base firme ao se aventurar no mundo da comunicação do inglês como segunda língua.  

Estudos apontam que há 5 fases no processo de aquisição de uma segunda língua. Vamos dar uma olhada neles? 

  1. Fase silenciosa – Nessa fase, a criança aprende enquanto escuta. Ela ainda não tem a confiança necessária para se arriscar em falar algumas primeiras palavras. Nesse período, a escuta é muito importante porque a criança é uma esponjinha, assimilando tudo o que é necessário para solidificar a base a fim de que se arrisque no uso do inglês. Ela não só escuta como observa gestos, e a comunicação corporal daquele que é o ‘expert’ na língua em sala: o professor; ou em casa: pai, mãe, programas de TV, etc.
  2. Produção inicial – Nessa fase, a criança passa a construir vocabulário ativo. A criança começa a falar algumas palavras, geralmente, repetições do que ouve. Ela ainda não constrói frases complexas ou comunica ativamente com pensamentos mais abstratos, mas pode formular frases simples com erros gramaticais. A ativação de vocabulário nessa fase é base para a próxima fase do processo. 
  3. Produção discursiva – Nessa fase, a criança já tem mais liberdade para arriscar comunicar com frases simples, mas construídas de forma mais independente sobre temas que ela domina. A maioria das pessoas nativas na língua já consegue compreender o que a criança fala nessa fase. A criança começa a experimentar com a língua e combina as palavras e estruturas aprendidas. Essas experimentações serão base para a próxima fase. 
  4. Fluência intermediária – Nessa fase, o aprendente adquire habilidade para se comunicar de forma oral e escrita com frases mais complexas. É uma fase em que ele consegue realizar mais conexões entre a vida, suas experiências e a capacidade de comunicar efetivamente. O aprendente pode começar a pensar em inglês. É uma fase muito importante para que mais e mais conexões possam ser feitas, permitindo que a criança comunique mais e melhor em inglês.  
  5. Fluência – Aqui os aprendentes da segunda língua continuam a desenvolver seu inglês, passando a se comunicar mais e de forma cada vez mais correta e eficaz.  

 Por mais que pesquisadores tentem mensurar a quantidade de tempo para que os aprendentes passem de uma fase para outra, nada pode ser rígido, porque somos pessoas diferentes, com ritmos diferentes de aprendizagem. Outro ponto muito importante é que estamos sempre vivendo essas fases quando aprendemos línguas. Não importa o quão fluentes sejamos. As fases não se encerram em tempo determinado, mas acontecem ao mesmo tempo em um processo contínuo, enquanto estamos vivos. Aprender é viver e isso não acaba nunca. Um fator essencial é ter em mente que somos únicos em tudo, e isso inclui os processos de aprendizagem. O pó de pirlimpimpim, ou a pílula que a Emília tomou não funcionam aqui. Aprender a falar outra língua é, sim, possível. Basta respeitar os processos de cada um e curtir a maravilhosa aventura que é aprender e poder comunicar. Isso não acontece num passo de mágica, mas… Pirlimpimpim! É possível! E como é!  

Extra! 

Vem curtir o vídeo do primeiro lançamento desse clássico da década de 1980, com Baby do Brasil. Monteiro Lobato escreveu sobre a grande magia que é poder falar e se comunicar. Algo que nos faz mais gente…