(Estrada localizada em Charleston, Carolina do Sul)

Olhando para essa foto, ficamos maravilhados com a forma como as árvores se ajustaram e deixaram o caminho para a estrada, não é mesmo? Quando vejo árvores assim, sempre penso no que foi necessário para que elas se adaptassem ao que a estrada da vida estava lhes oferecendo. O que é necessário que façamos para que possamos cumprir nosso propósito? 

Quando nos colocamos a serviço de nosso propósito de vida, estamos sujeitos a situações que vão nos desafiar e nos forçar a ver coisas que, muitas vezes, são muito difíceis pra gente: nem sempre nosso jeito é o melhor, e que podemos estar errados sobre muitas coisas e precisamos aceitar isso. Essas são exigências importantes para quem diz ter flexibilidade e adaptabilidade. Duas características muito importantes o século 21. 

Se há uma coisa que a pandemia nos mostrou é a importância da flexibilidade para que possamos atingir nossos objetivos e fazer acontecer. O século 21 vem trazendo muitos desafios que exigem adaptabilidade e a competência de poder improvisar, nos adaptar e buscar novas estratégias diante de desafios que nos surpreendem no caminho da realização de tarefas, das mais simples às mais complexas. 

Saber que os planos podem mudar e que precisamos nos adaptar para conseguirmos realizar o que nos propomos é uma habilidade muito importante para todos, na sociedade contemporânea. Essa habilidade é essencial ao sucesso. 

Para desenvolvermos a flexibilidade temos que saber analisar contextos em que estamos inseridos, avaliá-los e, a partir da capacidade de prever consequências, buscar a resolução de problemas, caso o planejado não seja possível. 

A flexibilidade é uma habilidade que nos remete a uma espinha dorsal: ela precisa se mover para todos os lados, porém, ainda assim, ela possui uma estrutura óssea que lhe dá sustentação e firmeza. O importante é manter os objetivos em foco e saber onde se quer chegar. Nem sempre poderemos ter tudo o que queremos do jeito em que planejamos, mas teremos o que é possível. Precisamos acreditar que aprendizagem vem dentro de nossas possibilidades, e que ela é construção. Como as águas de um rio que sempre vão desaguar nos oceanos, a aprendizagem precisa ser flexível para atingir seu objetivo. Precisamos aprender flexibilidade em casa e na escola. Essa habilidade pode ser ensinada, ou melhor, vivenciada. 

Quando um professor em uma sala de aula de CLIL, por exemplo, pede que seus alunos realizem uma tarefa em grupos, ele está oferecendo oportunidades para que seus alunos trabalhem a resolução de problemas. Resolver problemas é um bom exemplo de exercício de flexibilidade. Se pedimos que um grupo de alunos construa uma escultura com blocos de encaixe com determinadas características e, durante o processo, eles planejam a sua escultura, mas, de alguma forma, ela não fica de pé com o planejamento desenvolvido por eles, o que eles fazem? Diante da tarefa, eles encontram uma forma para resolver aquele problema e isso demonstra flexibilidade. 

Como assim? O que eles planejaram, por qualquer razão, não deu certo ou não foi a melhor maneira. Diante do novo cenário e, para chegar ao seu objetivo, eles precisam se adaptar e flexibilizar. 

Adaptabilidade e flexibilidade são essenciais, também, no trabalho colaborativo. Trabalhar colaborativamente exige que possamos saber quando é importante mudar, como mudar e como reagir à mudança. Se todos precisam chegar a um consenso, é necessário que todos exerçam a flexibilidade para que haja um denominador comum visando a realização do objetivo final da tarefa.

Todas essas oportunidades de aprendizagem são muito vivenciadas numa sala de aula bilíngue, porque as atividades propostas em sala convidam ao trabalho colaborativo, à resolução de problemas e, consequentemente, à flexibilidade. 

Em casa, a flexibilidade começa em simples rotinas, como saber que nem tudo vai acontecer como sonhamos ou planejamos, como perder num jogo de tabuleiros, por exemplo. A vitória e a perda precisam ser experimentadas como parte da formação de muitas habilidades do século 21: regulação de emoções, iniciativa para resolver problemas e flexibilidade para entender que nem tudo acontece como queremos o tempo todo, e que está tudo bem mesmo assim. 

A flexibilidade é semente para a resiliência. Tendo uma estrutura, ela nos lembra que devemos sim, ser flexíveis, mas que nunca devemos abandonar nossa essência nem em que acreditamos. O rio não para. Ele pode mudar seu curso sim, mas sempre desembocará no mar.