Em breve, a chegada do novo coronavírus no Brasil completará um ano e já é possível olhar para trás em busca dos principais aprendizados nesse cenário tão complexo em que nos vemos. Ainda que estejamos em regime de isolamento social, há indícios de que nos unimos como nunca para transformar impedimentos em oportunidades em todas as esferas da vida, incluindo a educação.

Desde que as escolas fecharam suas portas, as casas dos mais variados perfis, em todas as regiões do Brasil, tornaram-se o principal ambiente para a dinâmica de ensino-aprendizagem. E mesmo sendo um dos países mais ativos em termos de uso da internet, o Brasil estava muito longe de ter um modelo híbrido quando o assunto é educação. Se éramos ótimos produtores de memes, muitos de nós nunca tinha participado de uma reunião virtual ou utilizado ferramentas de aprendizado não presencial.

E aqui, vale delinear que não estamos falando apenas dos desafios de infraestrutura que fazem parte da nossa realidade por sermos um país em que impera o contraste socioeconômico. Há também que se olhar para o que chamamos de letramento digital – ou seja, a familiaridade de professores, alunos e demais agentes do ecossistema da educação com o ambiente e as ferramentas do mundo digital.

Chegou a hora do F5

Frente às restrições que tivemos – e que ainda devemos ter por um bom tempo – coube-nos a ação de desvendar na prática o que poderia ser feito para que a paralisação do ensino não se tornasse mais um capítulo devastador da pandemia. E, ao contrário de um certo pessimismo e medo que vimos no início desse ciclo, há muito que se comemorar.

Em primeiro lugar, superamos a percepção de que as experiências mediadas pela internet e pela tecnologia têm menos valor, aquela ideia do “é só digital”. Entendemos que podemos trabalhar de formas distintas nas dimensões do que é síncrono e do que é assíncrono, fazendo que professores e alunos passassem a priorizar o momento presente para o que é, por natureza, algo que necessita de interação e simultaneidade. Acreditamos que assim como as séries, que nos dá horas e horas de entretenimento, os conteúdos de que necessitamos para evoluir em nossas trilhas de aprendizado também podem ser acessados em ambientes on-line. Vimos que a vergonha das câmeras deu lugar à criatividade, o que tem permitido performances inimagináveis até pouco tempo atrás.

No que diz respeito à capacitação contínua dos professores, também temos colhido frutos importantes. E, de novo, graças à ressignificação das experiências digitais foi possível encarar a rotina por uma outra perspectiva, criando-se mais oportunidades de consumo de conteúdo e de interações produtivas.

Especialmente para quem aposta no ensino bilíngue, ficou ainda mais claro a importância de termos experiências que proporcionem aprendizado humanizado, concreto e duradouro. Afinal, mergulhar em um novo idioma é, entre outras conquistas, uma forma de expandir nossa percepção de mundo, nossa capacidade de comunicação e nosso repertório de soluções para gerenciar o saber e o fruto desse saber. Habilidades que nunca se fizeram tão necessárias em um mundo pautado pelas incertezas.

Cecília Lemos é Gerente de Serviços Educacionais da Richmond Brasil e uma das líderes do Programa Bilíngue Educate.