Por Maya Angelou

Sombras dançando no muro

Sons que brotam do escuro

Nada na vida me assusta

Cachorros bravos rosnando

Fantasmas voando em bando

Nada na vida me assusta

Bruxa e caldeirão fervente

Leões livres pela frente

Eles não me assustam em nada

Dragão soprando chama

Ao pé da minha cama

Isso não me assusta nada,

Eu grito SAI!

E correndo ele vai

E faço zoeira

Da sua correria

Eu não vou chorar

Ele terá de voar

E eu me divirto

Com o seu faniquito

NADA NA VIDA ME ASSUSTA (…)

Todas as crianças, independente da idade, vivem emoções fortes. Felicidade, amor, liberdade, tristeza, medo. Em um mundo como o que vivemos, o medo pode ser uma constante maior do que imaginamos, mesmo quando tentamos proteger nossos filhos o máximo que podemos. Se vocês pararem para pensar, vão lembrar muitos momentos em que sentiram medo e ansiedade durante a infância. Medo do escuro, de experimentar algo pela primeira vez, receio ao dormir longe dos pais pela primeira vez, ansiedade diante de provas, apresentações de trabalhos. Vivenciar algo pela primeira vez pode ser excitante e amedrontador, ao mesmo tempo. O ser humano tem a tendência de criar expectativas e, muitas vezes, elas trazem ansiedade e frustrações. Então, passamos a vivenciar o medo de errar, não atingir o esperado e fracassar.

Quando somos bebês, na primeira infância, é mais comum termos medos de escuro e monstros que estão em nossa imaginação. Quantas vezes nossos filhos vêm nos chamar quando dormimos porque estão com medo do escuro ou de algum barulho que ouviram e não sabem o que são? Eles crescem, a fase do medo do monstro passa, mas o medo será sempre uma emoção com a qual teremos que conviver.

O medo é uma emoção natural e é algo que todos nós sentimos na vida. O que importa é como você enfrenta seus medos e se você deixa que eles afetem sua vida. O poema de Maya Angelou fala desse “lidar com os seus medos”, medos que a vida traz naturalmente. Alguns chamam esse sentimento de estresse, preocupação, pânico, mas, na maioria das vezes, estamos lidando com o mesmo sentimento.

Quando estamos com medo, temos pensamentos que não nos ajudam em nada. São coisas como: “todo mundo na sala pensa que não sou bom o suficiente”, “algo ruim vai acontecer” … Daí o corpo reage: o coração bate mais acelerado, a respiração fica mais ofegante, você passa a suar mais…

Essa ansiedade pode acontecer com nossos filhos quando eles precisam enfrentar alguns medos na vida. Uma prova, uma apresentação na escola, ou até o fato de que não compreende tudo o que o professor fala em sala. Esses fatores pressionam porque eles são, muitas vezes, manifestados a partir de expectativas que temos sobre nossos filhos ou que eles mesmos passam a ter sobre seus desempenhos, numa tentativa de pertencer a um grupo, por exemplo.

O medo é uma emoção necessária e deve ser trabalhada como tal. Ele nos faz desenvolver instinto de sobrevivência diante de muitas situações de risco. Esse medo é saudável e necessário. Quando o medo faz de você uma pessoa extremamente cautelosa a ponto de não se arriscar em situações em que você está protegido, então o medo está impedindo o seu desenvolvimento e crescimento.

Então, o que fazer? Empatia. Demonstre que entende os medos de seu filho, mesmo sem concordar com eles. Estimule-o, concordando que entende o seu medo. Não force seu filho a enfrentar o que ele não está pronto para fazer. Ao mesmo tempo, não tente evitar essa emoção tentando proteger seu filho de tudo. A aprendizagem acontece em momentos de medo também. E é melhor quando ela é feita com amor, com vocês ao lado dele. Você não pode viver a vida do seu filho, você não pode evitar o sofrimento, a frustração, mas pode estar ao seu lado, reforçando que ele está fazendo o seu melhor. E isso é o bastante. Assim, seu filho poderá afirmar, quando tiver medo ou receio: “Nada na vida me assusta”. E a vida se abrirá para ele com todas as suas possibilidades: boas e ruins. Mas cheia de aprendizagens para o desenvolvimento de um cidadão saudável e feliz.

EXTRA! EXTRA!

Aqui vocês têm dois vídeos: o primeiro é com a própria Maya Angelou, recitando sua poesia numa animação e ou outro, uma leitura de uma biblioteca do Brasil. Maya Angelou foi uma americana, ativista negra, poeta e mulher revolucionária.